O que a Marcha das Vadias quer – a visão misógina de Ricardo Itapoan

E quando eu pensava que todo mundo já tinha entendido, eis que recebo esse vídeo estúpido de um camarada pra lá de misógino.

No vídeo ele mostra diversas cenas de PESSOAS – homens E mulheres – em situações de danças sensuais e de simulações sexuais ( e breves passagem da Marcha das Vadias, em nada relacionados às outras imagens). Percebam: homens E mulheres, porém o sujeito parece só enxergar as mulheres presentes neles. Ele só vê a vulgaridade da mulher naquelas situações. E os homens que estavam junto? Não são vulgares também? Se elas são, eles também são.

Então, em um ponto inicial do vídeo, o sujeito fala: “Então o assunto é esse aí: PUTARIA! É o que as MULHERES fazem e depois querem reivindicar com a Marcha das Vadias.”.

A mistura de informações é tão confusa, que nem sei por onde começar, mas vamos lá:

1°: Quem quiser fazer putaria, que faça! A única regra é : que seja de COMUM ACORDO entre todos os envolvidos! Concordo que a mídia promoveu e promove um excesso de erotização nas pessoas, nas últimas décadas, e que o sexo tem sido banalizado e vulgarizado de maneira excessiva. Eu, particularmente, sempre critiquei os “É o Tchan”, Carlas Perez, Sheilas Carvalho e Mulheres Fruta, por considerá-las marionetes da Mídia Machista, que insiste em apenas nos mostrar como peitos e bundas, e estas são mulheres que aceitam (ou aceitavam) se demonstrar assim, em geral não por liberdade, de fato, mas por imposição cultural – por causa da objetificação do corpo da mulher. Acho Mulher Melancia e Mulher Pêra vulgar? Sim. Eu acho. Eu me exporia da mesma maneira que elas? Não, não me exporia, pois acho que elas se colocam como “carne no açougue”, em exposição para os homens que se colocam como “cachorros vendo um bife” e defendo a ideia de que é justamente a mulher se sujeitar a estes comportamentos que faz com que continuemos sendo vistas e tratadas como objetos. Se ela QUER, é uma coisa. Se ela ACEITA por imposição cultural, é mais uma coisa a ser trabalhada e mudada em nossa sociedade.

Entretanto, mulheres E homens participam dessa vulgarização. Então pergunto: se as mulheres envolvidas são “putas”, “vadias”, “vagabundas”, que nome se dá para os homens que estão junto (embora o apresentador do vídeo não pareça os enxergar, pois só citou a “barbaridade” do que as mulheres estavam fazendo)?

2°: Ainda assim, a discussão NÃO É ESSA! A discussão é justamente sobre o raciocínio ABSURDO de alguns homens, que pensam igual a “cachorros”, e pensam em mulheres como em “bifes”- como Ricardo Itapoan -: de que estas mulheres, por se exporem, estão justificadamente sujeitas a serem ofendidas e invadidas: “O que a Marcha das Vadias quer? Ela quer o direito de sair de shortinho curto, desenhando a “buceta” no meio; de sair com os peitos de fora, E RECLAMA SE ALGUÉM PASSAR A MÃO NO “CÚ” DELAS!” – diz o mal informado Ricardo.

SIM, Ricardo! Reclamam e continuarão reclamando. Continuaremos! Pois é EXATAMENTE sobre isso que trata a Marcha das Vadias: sobre DIREITOS. Quer seja “certo” ou seja “errado” na concepção religiosa-patriarcal, uma vez que cada pessoa é dona do seu próprio corpo, por mais que ela decida se expor e/ou o quanto se expor, e decisão sobre ser tocada ou sobre fazer sexo, continua sendo dela!

3°: Quase nada do que Ricardo Itapoan utilizou no vídeo tem qualquer relação com a Marcha das Vadias. Ele “inventou” um novo sentido pra Marcha das Vadias, de acordo com seus próprios preconceitos e falta de informação.

O que Ricardo Itapoan – o misógino, preconceituoso com problemas de interpretação de texto que apresenta o vídeo – parece não ter entendido é que é justamente sobre isso que trata a Marcha das Vadias: sobre a rotulação que a MULHER sofre ao agir da mesma maneira que homens agem, sem serem rotulados.

4°: Eu não defendo a vulgarização das pessoas, sejam elas homens ou mulheres. Não é isto que a Marcha das Vadias defende, também. Não defendemos a banalização do sexo nem a excessiva erotização promovida pela mídia e “engolida” pelas pessoas. Mas continuamos defendendo o direito de escolha de todas as pessoas sobre seu próprio corpo.

Se a mulher ser sexualmente ativa e exposta a torna vulgar, então também torna o homem que faz isso vulgar.

Então por que só, nós, mulheres, merecemos rótulos por causa disso, merecemos ser estupradas por causa disso?

Ainda defendo a ideia de que os homens é que deveriam aprender conosco a não se vulgarizarem, ao invés de nós aprendermos com eles esta vulgarização, proposta/imposta pela Mídia Machista. Mas ainda que seja o oposto, isso não dá a ninguém o direito da agressão sobre o corpo ou mente de outra pessoa.

E aí, pessoal? O que pensam sobre este vídeo?

n.e. Este post expressa a opinião de Paula Berlowitz, uma das escritoras do blog. Não é necessariamente a opinião de todas as mulheres participantes da Marcha das Vadias.

Marcha das Vadias São Paulo 2012

A Marcha das Vadias São Paulo 2012 foi realizada no dia 26 de maio com foco no combate à violência contra as mulheres.

Este vídeo faz parte da cobertura da Marcha das Vadias pelo site www.jezebelbrasil.com.br. Veja o texto no link http://jezebel.uol.com.br/a-marcha-das-vadias-e-coisa-seria-e-emocionante/.

 

São Paulo  é um município brasileiro, capital do estado de São Paulo e principal centro financeiro, corporativo e mercantil da América Latina. É a cidade mais populosa do Brasil, do continente americano e de todo o hemisfério sul do mundo, e a cidade brasileira mais influente no cenário global, sendo considerada a 14ª cidade mais globalizada do planeta, recebendo a classificação de cidade global alfa, por parte do Globalization and World Cities Study Group & Network (GaWC). O lema da cidade, presente em seu brasão oficial, é constituído pela frase em latim “Non ducor, duco”, cujo significado em português é “Não sou conduzido, conduzo”. – Wikiṕédia

Marcha das Vadias – Pelotas / RS


Entrevista dada pela comissão organizadora da Marcha das Vadias Pelotas para o programa Nossa Luta.

Em meados de 2011, em uma Universidade de Toronto no Canadá, um policial palestrando sobre segurança, orientou as mulheres que parassem de vestir-se como “Vadias” para diminuir o índice de estupros dentro do espaço da Instituição de Ensino. A partir desta declaração a revolta foi imediata e as mulheres se organizaram e criaram a “Slut Walk”, ou em bom português, “Marcha das Vadias”. Em seguida, a Marcha foi organizada em diversas partes do mundo, como em Los Angeles, Chicago, Buenos Aires, São Paulo, Brasília, etc.

Desta Forma, a Marcha das Vadias vem para dizermos à sociedade que 15 mil mulheres são estupradas ao ano aqui no Brasil, que a cada 5 minutos 2 mulheres são estupradas no nosso país e que 80% dos casos de estupros são cometidos dentro de casa! O Machismo está ao nosso lado, dentro das instituições, do lar, das escolas, nas ruas! Queremos também combater e contestar a Sociedade e o Estado que ainda dizem que nós somos culpadas pelos casos de violência. A Sociedade deveria ensinar ao homem a não violentar, a não estuprar!

Diante da data de luta das mulheres, 8 de março, acrescida da quantia expressiva de marchas das Vadias ocorridas no ano que passou, pretendemos realizar na cidade de Pelotas a sua 1ª Marcha das Vadias no dia 10 de março de 2012, visando à denúncia das opressões e à rememoração das conquistas empreendidas pelas mulheres.

Nem Santas, nem Putas (um dia de Marcha das Vadias)

Em São Paulo, no dia 4 de julho de 2011, mulheres se reuniram para a Marcha das Vadias. O filme tenta entender o que elas querem.

Coletivo de Comunicadores Populares

Filmagem e Edição: Gabriel de Barcelos

http://comunicadorespopulares.org/
http://sessao.wordpress.com/

A cópia e distribuição desse filme não só é permitida, como recomendada.

Quem quiser uma cópia (mediante pagamento das despesas do Correio) em DVD com a qualidade original do vídeo (aqui na internet ta com qualidade um pouco inferior), manda email para gbarceloss@hotmail.com